Skip to content

Desabafo de um empresário de São Leopoldo (RS)‏

26 de agosto de 2010
É lamentavel , mas  infelizmente é verdade…
São Leopoldo tem um dos menores índices de analfabetismo e de mendicância do país, talvez por causa de homens como este!
EMPRESÁRIO DE SÃO LEOPOLDO
.
.
Silvino Geremia é empresário em São Leopoldo, Estado do Rio Grande do Sul.
Eis o seu desabafo, publicado na revista EXAME em 96:
.
“Acabo de descobrir mais um desses absurdos que só servem para atrasar a vida das pessoas que tocam e fazem este país: investir em Educação é contra a lei .

Vocês não acreditam?

Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa.

Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá.

Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo.

Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredor ou um técnico.

Este ano, um fiscal do INSS visitou a nossa empresa e entendeu que Educação é Salário Indireto.

Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino freqüentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS.

Tenho que pagar 26 mil reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários?

Eu honestamente acho que não.

Por isso recorri à Justiça.

Não é pelo valor em si , é porque acho essa tributação um atentado.

Estou revoltado.

Vou continuar não recolhendo um centavo ao INSS, mesmo que eu seja multado 1000 vezes.

O Estado brasileiro está completamente falido.

Mais da metade das crianças que iniciam a 1ª série não conclui o ciclo básico.

A Constituição diz que educação é direito do cidadão e um dever do Estado.

E quem é o Estado?

Somos todos nós.

Se a União não tem recursos e eu tenho, acho que devo pagar a escola dos meus funcionários.

Tudo bem, não estou cobrando nada do Estado.

Mas também não aceito que o Estado me penalize por fazer o que ele não faz.

Se essa moda pega, empresas que proporcionam cada vez mais benefícios vão recuar..

Não temos mais tempo a perder.

As leis retrógradas, ultrapassadas e em total descompasso com a realidade devem ser revogadas.

A legislação e a mentalidade dos nossos homens públicos devem adequar-se aos novos tempos.

Por favor, deixem quem está fazendo alguma coisa trabalhar em paz.

E vão cobrar de quem desvia dinheiro, de quem sonega impostos, de quem rouba a Previdência, de quem contrata mão de obra fria, sem registro algum.

Eu Sou filho de família pobre, de pequenos agricultores, e não tive muito estudo.

Somente consequi completar o 1º grau aos 22 anos e, com dinheiro ganho no meu primeiro emprego, numa indústria de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, paguei uma escola técnica de eletromecânica.

Cheguei a fazer vestibular e entrar na faculdade, mas nunca terminei o curso de Engenharia Mecânica por falta de tempo.

Eu precisava fazer minha empresa crescer.

Até hoje me emociono quando vejo alguém se formar.

Quis fazer com meus empregados o que gostaria que tivessem feito comigo.

A cada ano cresce o valor que invisto em educação porque muitos funcionários já estão chegando à Universidade.

O fiscal do INSS acredita que estou sujeito a ações judiciais.

Segundo ele, algum empregado que não receba os valores para educação poderá reclamar uma equiparação salarial com o colega que recebe..

Nunca, desde que existe o programa, um funcionário meu entrou na Justiça.

Todos sabem que estudar é uma opção daqueles que têm vontade de crescer…

E quem tem esse sonho pode realizá-lo porque a empresa oferece essa oportunidade.

O empregado pode estudar o que quiser, mesmo que seja Filosofia, que não teria qualquer aproveitamento prático na nossa Empresa Geremia.

No mínimo, ele trabalhará mais feliz.

Meu sonho de consumo sempre foi uma Mercedes-Benz.

Adiei sua realização várias vezes porque, como cidadão consciente do meu dever social, quis usar meu dinheiro para fazer alguma coisa pelos meus 280 empregados.

Com os valores que gastei no ano passado na educação deles, eu poderia ter comprado Duas Mercedes.

Teria mandado dinheiro para fora do País e não estaria me incomodando com essas leis absurdas .

Mas infelizmente não consigo fazer isso.

Eu sou um teimoso.

No momento em que o modelo de Estado que faz tudo está sendo questionado, cabe uma outra pergunta.

Quem vai fazer no seu lugar?

Até agora, tem sido a iniciativa privada.

Não conheço, felizmente, muitas empresas que tenham recebido o mesmo tratamento que a Geremia recebeu da Previdência por fazer o que é dever do Estado.

As que foram punidas preferiram se calar e, simplesmente, abandonar seus programas educacionais.

Com esse alerta temo desestimular os que ainda não pagam os estudos de seus funcionários.

Não é o meu objetivo.

Eu, pelo menos, continuarei ousando ser empresário, a despeito de eventuais crises, e não vou parar de investir no meu patrimônio mais precioso:

as pessoas.

Eu sou mesmo teimoso!…

Não tem jeito…

“No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes.

Na educação é o 85º e ninguém reclama…”

Silvino Geremia é o empresário mais lembrado pelos leopoldenses

O Diretor de Mercado e Desenvolvimento da HIGRA, Silvino Geremia, ganhou o Prêmio Jornal VS de Profissionais. O reconhecimento, promovido por um dos principais veículos de comunicação da região do Vale do Sinos, foi feito por meio de votação espontânea junto à comunidade e destacou 14 áreas. Geremia foi o mais lembrado pelos leopoldenses como empresário. ‘’Fiquei realmente surpreso e muito orgulhoso quando soube.  Estou ainda emocionado e agradecido a todos os que votaram em mim. Muito obrigado’’, diz ele.

Contudo, entre tantos que o admiram e conhecem sua luta para melhorar São Leopoldo, poucos são os que sabem que, na verdade, sua cidade natal é outra. Foi apenas aos 12 anos que Geremia conheceu São Leopoldo, quando ajudava o pai a vender frutas. Natural de Farroupilha, o encantamento com o município foi imediato e, à época, talvez nem ele imaginasse que no futuro era aqui que se destacaria como profissional e viveria com a família. Hoje, aos 65 anos, quem com ele convive pode compartilhar um pouco de seu entusiasmo e entender o porque foi reconhecido perante a comunidade leopoldense. Sem dúvida, ainda carrega a simplicidade do vendedor de frutas e o ânimo contagiante de quem sabe o esforço que lhe foi exigido para ocupar a posição em que hoje se encontra.

Assim, passado mais de meio século após conhecer e admirar São Leopoldo, hoje Silvino Geremia leva o nome da cidade que adotou para todos os cantos do mundo por meio da HIGRA, empresa referência mundial no segmento de bombas anfíbias e aeradores submersos com base no bairro Arroio da Manteiga.

Conheça um pouco mais sobre ele.

Entrevista/Silvino Geremia

‘’Mesmo eu sendo de origem humilde e de outra cultura, que é a italiana, sempre fui muito bem recebido pela comunidade de São Leopoldo.’’

Com que idade e por que veio para São Leopoldo?

Quando eu tinha 12 anos conheci São Leopoldo vendendo frutas com meu saudoso pai. Eu achava São Leopoldo uma cidade linda e muito industrializada, com muitas chances de crescer profissionalmente. Meu sonho era morar aqui. E o desejo se tornou realidade! Eu queria fazer um curso técnico em mecânica ou em eletricidade e aqui existia um colégio que tinha os dois cursos integrados, a Escola Técnica Estadual Frederico Guilherme Schmidt. Foi então que, com 25 anos, me mudei para São Leopoldo e consegui entrar no colégio.

Como começou sua vida profissional? Conte um pouco de sua trajetória até hoje, como Diretor de Mercado e Desenvolvimento da HIGRA.

Eu já havia trabalhado em uma fábrica de bombas em Bento Gonçalves e em outras duas em Esteio e me destaquei nas três, rapidamente cresci dentro delas Foi então que convidei meu irmão, Ivo Geremia, que também tinha trabalhado na mesma fábrica em Bento Gonçalves, para montarmos uma microempresa em Esteio: a Irmãos Geremia Ltda., mais tarde conhecida como Bombas Geremia. Um ano depois, nos mudamos para São Leopoldo para aproveitar a criação do Distrito Industrial. A empresa teve um crescimento rápido, mas o maior crescimento ocorreu quando entramos no mercado do petróleo, junto à Petrobras, e no mercado internacional, junto aos principais países produtores de petróleo. Vinte e cinco anos depois, em função do grande sucesso, um grupo adquiriu 100% das cotas da Irmão Geremia. Foi então que, no dia 30 de outubro de 2000, a Higra Industrial Ltda. foi criada, junto com meus dois filhos: Alexsandro e Lisiane.Também faz parte do quadro social da Higra o ex-gerente industrial da Bombas Geremia, Dilceu Elias de Moura, que tinha ocupado o cargo durante 20 anos.

Em dez anos de HIGRA, qual a avaliação?

Muito boa. A empresa está completando uma década com um forte crescimento, que é de mais de 30% ao ano, e estamos com um projeto já aprovado no BNDES para triplicar a produção nos próximos três anos.

O senhor esperava ter seu nome citado entre os três empresários mais lembrados pela comunidade leopoldense?

Com certeza não, fiquei realmente surpreso e muito orgulhoso quando soube. Ainda mais por ser um prêmio dado por um veiculo de comunicação da seriedade do VS e ainda mais na forma como foi, uma eleição democrática com a votação dos leitores do jornal. Quero aproveitar para agradecer a todos os leitores que votaram em mim. Este é um prêmio que, acima de tudo, exige muita responsabilidade para cada vez trabalharmos mais, tanto na empresa, quanto para o desenvolvimento sustentável da comunidade.

Há tantos anos no mercado, qual a importância de ter este reconhecimento em sua cidade?

Sinceramente eu tenho dificuldades em definir a importância. Como eu disse, não esperava, e acho que a ficha ainda não caiu completamente. Estou ainda emocionado e agradecido a todos os que votaram em mim. Mesmo eu sendo de origem humilde e de outra cultura, que é a italiana, sempre fui muito bem recebido pela comunidade de São Leopoldo.

O senhor disse, à reportagem do Jornal VS, que gostaria de ter cursado uma universidade. Acha que não ter uma formação influenciou, de alguma forma, em sua ascensão como empresário?

Eu sempre achei que não adianta ter dois ou mais cursos superiores, ou ter tirado notas máximas, se ficarmos sentados sobre elas. As coisas não caem do céu para ninguém. O que temos que fazer é ir à luta e nunca baixar a guarda. Lógico, se tivesse tido mais formação, talvez tivesse sido melhor, mas como não tive este privilégio, procurei me superar trabalhando mais.

Na sua avaliação, quais as características fundamentais para um empresário ter sucesso?

Primeiramente muito trabalho e procurar trabalhar com pessoas motivadas e ambiciosas, que querem crescer. Deve-se eliminar do quadro funcional pessoas gananciosas, que só visam o interesse próprio. Devemos procurar nos aconselhar sempre com aqueles que tiveram sucesso no que fizeram, procurar trabalhar na relação ganha- ganha: ganha a empresa, ganha o fornecedor, ganha o trabalhador e ganha o cliente. E isto é possível se tivermos a noção que todos têm  importância no processo e que o principal é sempre o cliente. Outro ponto muito importante é saber que o patrimônio maior numa empresa não são os prédios e as maquinas, e sim as pessoas que trabalham nela e a marca da empresa. É essa que detém o mercado, onde devemos dirigir a maior atenção e investimento.

Entre tantas conquistas profissionais, ainda há algo para realizar?

Quando eu olho para trás, vejo que muito já realizei e, felizmente, sempre com muito sucesso, porque sou focado naquilo que faço. Porém, quando olho para frente, parece que não fiz nada e tenho ainda muito para fazer. Os negócios nas empresas são muito dinâmicos e, o que hoje serve, amanhçã não serve mais. Então, se não nos mantivermos constantemente atualizados, mesmo com muita experiência, vamos naufragar.

Em tempos onde os grandes empresários poucos se envolvem com causas que não são suas, o senhor procura apoiar as causas da cidade, como o Instituto São Leopoldo 2024 e o Clube Esportivo Aimoré. Por que este envolvimento?

Primeiramente nós temos que ter a noção de que é na comunidade que nossa empresa esta inserida, é nela que nós e nossos funcionários vivemos com nossas famílias. Se a comunidade estiver bem, a empresa tem mais possibilidade de se dar bem. Outro ponto é fazer uma política de boa vizinhança. Devemos fazer com que as pessoas que vivem perto dela gostem também da empresa e não tenham nenhuma rejeição. Com o apoio ao Instituto SL 2024, esperamos colaborar para deixar uma São Leolpoldo melhor para as novas gerações.

No Esporte Clube Aimoré, foi lá que tive a honra de conhecer o saudoso Joao Correia da Silveira, que era uma pessoa incrível. Ele estava adiantado no tempo e tinha a clara noção do quanto era importante ter a marca Amapá associada ao Aimoré. O Aimoré levou e ainda leva o nome da cidade para muito longe, para lugares que ninguém imagina. Muitas vezes, quando viajo para locais muito distantes, ainda me perguntam o que aconteceu com o Aimoré. Acredito que ainda podemos fazer com que o clube da nossa cidade tenha sucesso, assim como a Higra está tendo.

O senhor possui uma equipe qualificada que lhe auxilia na HIGRA. Qual o seu papel na empresa? Pensa em, algum dia, aposentar-se?

Eu já tentei me aposentar por duas vezes, uma pela previdência e outra quando vendi a Bombas Geremia. Confesso que a experiência foi péssima, não consegui me adaptar, pelo simples fato que eu adoro aquilo que faço. Sem isto eu me sinto um Zé ninguém. Portanto, eu pretendo trabalhar enquanto eu puder, independente de ganhar ou não dinheiro. A diferença é que hoje procuro tirar mais tempo pra mim,  para meu lazer. Gosto muito de viajar!  E viajar, no meu caso, é sempre muito produtivo, porque é viajando que surgem minhas inspirações. Eu também trabalho mais na empresa como um consultor e estou passando meus conhecimentos adquiridos em 40 anos de experiência para meu filho Alexsandro e outros jovens que trabalham conosco.

Se pudesse lhe definir em algumas palavras, quais seriam?

Muito trabalho, prazer naquilo que faço, foco, organizado e perfeccionista com meus compromissos. Gosto de valorizar as pessoas pelo que elas são. Também sou ambicioso, mas não pelo dinheiro, mas sim como profissional.

A HIGRA tem como marca a sustentabilidade. De que forma o senhor aplica isto na sua vida profissional e pessoal?

Em tudo aquilo que faço. Sustentabilidade não é só meio ambiente. Tudo o que fizemos durante a vida tem que ser sustentável. Isto é, no trabalho, na política, na sociedade, na comunidade, no dia-a-dia. Acredito que tudo o que fizermos sem ela nos deixará sem rumo, sem segurança e sem objetivos e, cedo ou tarde, vamos ter que  pagar a conta. Às vezes, a conta pode ser muito alta e pode nos levar ao naufrágio.

Como vê a sustentabilidade, em seus mais variados conceitos, nos próximos anos? Possui uma visão otimista quanto ao futuro?

Eu sou um otimista por natureza. Infelizmente, o homem aprende diante das dificuldades e das catástrofes. Nós estamos assistindo à revolta da natureza com enchentes e furacões. Então, eu digo para todos e para quem questiona que, é só dar mais um ou dois Katrina, que também os americanos, resistentes as ações dos ecologistas, irão se mexer. Hoje vejo que eles também já estão preocupados e se mexendo. Isto é muito importante e atualmente a palavra sustentabilidade esta em toda a parte do mundo. A Higra esta com um trabalho pioneiro no Rio Grande do Sul, já reconhecido, e acho que este é um caminho que todos devem seguir.

Com que tipos de pessoas gosta de trabalhar? O que diria para quem se espelha em pessoas como o senhor e almeja um futuro de sucesso como empresário?

Em primeiro lugar, acredito que a pessoa deve procurar um ramo no qual tenha domínio, também deve procurar trabalhar com pessoas ambiciosas e que queiram crescer. Além disso, procurar aconselhar-se sempre com quem teve sucesso e deu certo, não misturar dinheiro particular com o da empresa, eliminar pessoas gananciosas que só visam o interesse próprio, ter foco total na empresa e no negócio e ter a clara visão que três são os pontos principais: a marca, o mercado e o cliente.

Fonte: http://www.higra.com.br/blog/?p=126

Anúncios
Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: