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2ª Estrela da coroa de Maria – A sua Virgindade Perpétua.

20 de agosto de 2011

Que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão com o Espírito Santo estejam com todos vocês.

Dando continuidade em nossa série de artigos sobre as 12 estrelas da coroa de Nossa Senhora (Ap 12,1), vamos falar sobre a 2ª estrela que é a sua Virgindade Perpétua.

Ao contrário do que muitos dizem, o dogma da Virgindade Perpétua da Mãe de Deus é contemplado desde o primórdios do cristianismo. Todavia, apenas em 07 de agosto de 1555, o Papa Paulo IV proclamou infalivelmente a Virgindade de Maria como fundamento de fé, expressando-se da seguinte forma:

“A Bem-aventurada Virgem Maria foi verdadeira Mãe de Deus, e guardou sempre integra a virgindade, antes do parto, no parto e consequentemente depois do parto”.

Até os reformadores protestantes João Calvino e Martinho Lutero professavam a virgindade de Maria. Em 1537, Lutero escreveu em seus “Artigos da Doutrina Cristã” o seguinte texto: “O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o concurso de varão e a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem”. Já Calvino, em 1542, Publicou o Catecismo da Igreja de Genebra, onde escreveu: “O Filho de Deus foi formado no seio da Virgem Maria… Isto aconteceu por ação milagrosa do Espírito Santo sem consórcio de varão.” Até os muçulmanos professam a virgindade de Maria no Corão.

A constituição  Lumem Gentium do Concílio Vaticano II afirmou: “Jesus, ao nascer, não lhe violou, mas mas sagrou a integridade virginal”(Lumem Gentium, nº 57), repetindo a afirmação que já feita no Concílio de Latrão, no ano de 649.

O Papa João Paulo II retomou assunto, confirmando e esclarecendo seus irmãos na Fé com a autoridade concedida pelo próprio Cristo a São Pedro e consequentemente a seus sucessores (Lc 22,32), em 24 de maio de 1992, em sua visita pastoral à diocese de Cápua (Itália), retomando as locuções da Tradição e dos Concílios anteriores:

“Maria deu à luz verdadeira e originalmente o seu Filho conservando sempre a integridade da carne”.

Os primeiros padres da Igrejas observavam que  “a virgindade da Mãe é uma exigência derivada da natureza divina do Filho” (Concilio Ecumênico de Constantinopla I, 381).

Para a tradição cristã, o seio virginal de Maria fecundado pelo Espírito Santo, tornou-se como o madeiro da cruz (Mc 15,39) ou as ligaduras do sepulcro (Jo 205-8). Da mesma forma que Jesus Ressuscitado atravessava paredes do sepulcro e do Cenáculo, “”sem as rasgar”, assim o fizera em relação a Virgem Santíssima ao nascer.

De certo modo, acontecimentos extraordinários ocorridos no Antigo Testamento podem não ilustram a possibilidade do parto milagroso de Nosso Senhor, como de certa forma prenunciam o evento que sem dúvida alguma é o mais importante de toda a História Humana:

  • A sarça ardente que não se consumia (Gn 17,21);
  • O nascimento extraordinário de Isaac (Gn 17,21);
  • Sansão (Jz 13,2-7);
  • Samuel (1 Sm 1,1-23);
  • João Batista (Lc 1,5-25).

São Tomás de Aquino apresenta apresenta de maneira primorosa as razões para a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora:

“Convinha que aquele que é Filho único de Deus… Fosse virginalmente concebido ao se fazer carne; para que a natureza humana do Salvador fosse isenta do pecado original, ficava bem que não fosse formado como de ordinário pela via seminal, mas pela concepção virginal; nascendo segundo o espírito dessa Virgem, sua esposa espiritual, que é a Igreja. O nascimento virginal é de todo conveniente, pois o Verbo que é eternamente concebido e procede do Pai sem nenhuma corrupção deve, se ele se fez carne, nascer de uma mãe virgem, conservando-lhe sua virgindade; Aquele que vem para retirar toda a corrupção não deve, ao nascer, destruir a virgindade daquela que lhe deu a luz…” (Temas Marianos, p. 29 e 29).

Na mesma alocução de Cápua citada mais acima, o Bem-aventurado João Paulo II renunciou a expor novas teorias biológicas sobre a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora, como se fosse possível explicar-lo pelas ciências médicas. Em suma, o Papa reafirmou que o parto de Nosso Senhor foi um milagre, conservando assim a integridade de Sua Mãe.

É muito importante nos dias atuais honrarmos esta grande glória concedida a Nossa Mãe, suplicando-lhe graças, tornando-nos também virgens, se não mais no corpo, ao menos no espírito, pensamentos, palavras, atos e desejos, vivendo o sexo dentro do plano de Deus (castidade) para assim consagrar-nos completamente ao Doce e Imaculado Coração de Maria. Muitos podem perguntar-se como ser casto e preservar-se num mundo como o que temos hoje. A resposta a essa hipótese nos foi dada pelo papa Pio XII, na encíclica “Sagrada Virgindade”, de 25 de março de 1954:

“Mas, para conservar e fomentar a castidade perfeita, existe um meio que a experiência dos séculos mostra repetidamente ter valor extraordinário: É a SÓLIDA E FERVOROSA DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA. De certo modo, esta devoção encerra em si todos os outros meios: quem a cultiva sincera e profundamente, é levado a vigiar e a orar, e aproximar-se do tribunal da Penitência e da Sagrada Mesa. Por isso, exortamos com afeto paternal os sacerdotes, os religiosos e as religiosas a colocar-se debaixo da proteção da augusta Mãe de Deus, que sendo Virgem das virgens, é, como afirma Santo Ambrósio, a mestra da virgindade, é, de um modo especial, a Mãe poderosíssima das almas consagradas a Deus. Tão grande era sua graça que não só conservava em si a unidade, mas comunicava o dom da integridade àquelas que visitava. “ (Vamos todos a Maria Medianeira, p. 96). Lembremos pois das palavras de Nosso Senhor: “Bem aventurado os puros de coração porquê verão a Deus” (Mt 5,8).

Os pretensos “irmãos” de Jesus

Para dirimir as dúvidas de algumas pessoas sobre o que diz as Escrituras sobre os pretensos irmãos de Jesus (Mt 12, 46-47; Mc 3, 31-32; Lc 8, 19-20, Jo 7, 1-10), proponho os seguintes pontos:

As línguas hebraica e aramaica não possuem palavras que traduzam o nosso ‘primo‘ ou ‘prima‘, e serve-se da palavra ‘irmão‘ ou ‘irmã‘.

A palavra hebraica ‘ha‘, e a aramaica ‘aha‘, são empregadas para designar ‘irmãos‘ ou ‘irmãs‘ dos mesmo pai, não da mesma mãe (Gn 37, 16; 42, 15; 43, 5; 12, 8-14; 39, 15), sobrinhos, primos irmãos (1 Par 23, 21), e primos segundos (Lv 10, 4) – e até ‘parentes’ em geral (Job 19, 13-14; 42, 11).

Reforçando a afirmação acima, podemos ver no Antigo Testamento:

Lê-se no Gêneses que Taré era pai de Abraão e de Harão, e que Harão gerou a Lot (Gn 11, 27), que, por conseguinte, vinha a ser sobrinho de Abraão. Contudo, no mesmo Gênesis, mais adiante, chama a Lot ‘irmão de Abraão‘ (Gn 13, 3). ‘Disse Abraão a Lot: nós somos irmãos” (Gn 14, 14)

Jacó se declara irmão de Labão, quando, na verdade, era filho de Rebeca, irmã de Labão (Gn 29, 12-15).

Os supostos ‘irmãos de Jesus‘ são indicados por S. Marcos: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão e não estão aqui conosco suas irmãs?

Tiago e Judas, conforme afirma S. Lucas, eram filhos de Alfeu e Cleófas: ‘Chamou Tiago, filho de Alfeu… e Judas, irmão de Tiago” (Lc 6, 15-16). E ainda: “Chamou Judas, irmão de Tiago” ( Lc 6, 16)

Quanto a ‘José’, S. Mateus diz que é irmão de Tiago: “Entre os quais estava… Maria, mãe de Tiago e de José” (Mt 27, 56).

Em S. Mateus se lê: “Estavam ali (no calvário), a observar de longe…., Maria Mágdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu“. Essa Maria, mãe de Tiago e José, não é a esposa de S. José, mas de Cleofas, conforme S. João (19, 25). Era também a irmã de Nossa Senhora, como se lê em S. João (19, 25): “Estavam junto à Cruz de Jesus sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria (esposa) de Cleofas, e Maria de Mágadala“.

Simão, irmão dos três outros, ‘Tiago, José e Judas‘ são verdadeiramente irmãos entre si, filhos do mesmo pai e da mesma mãe. Alfeu (ou Cleophas) é o pai deles.

Também decorre uma pergunta: Por que nunca os evangelhos chamam os ‘irmãos de Jesus‘ de ‘filhos de Maria‘ ou de ‘José‘, como fazem em relação à Nosso Senhor?

E como, durante toda a vida da Sagrada Família, os número de seus membros é sempre três? A fuga para o Egito, a perda e o encontro no templo, etc.?

Fica por aqui esclarecido o mal entendido que se foi acidentalmente, ou até mesmo propositalmente, gerado.

Fonte: AQUINO, Felipe Reinaldo Queiroz de – A Mulher do Apocalipse – Ed. Cléofas – 2005 – Lorena – SP – Páginas 21 a 31.

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