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UMA MATÉRIA-PRIMA CHAMADA POUPANÇA

19 de setembro de 2011

Como vencer as turbulências nos mercados

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 19 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o artigo escrito no L’Osservatore Romano por Ettore Gotti Tedeschi, presidente do Instituto para as Obras de Religião, familiarmente conhecido como o Banco do Vaticano.

* * *

As turbulências nos mercados internacionais, que afetam sobretudo as vendas dos títulos do Estado dos países europeus, devem-se a dois fatores principais: a agressiva concorrência americana na busca de assinantes da própria dívida pública e a percepção do crescimento dos riscos ligados aos bond europeus, com a conseguinte redução do seu peso nas carteiras obrigacionárias.

Para vencer estas turbulências e deter as vendas injustificadas de títulos do Estado, deve-se reduzir seu perfil de risco e tornar mais atraente sua assinatura através de perspectivas claras de recuperação econômica. O crescimento é o único elemento que garante estavelmente a diminuição da dívida pública e a capacidade de garanti-la.

Os projetos de crescimento econômico, neste momento específico, devem se fundar no apoio real e competitivo do trabalho, graças à utilização ótima dos recursos disponíveis em cada país. O reforçamento da ocupação se funda na consolidação da produção interna, que também deve ser competitiva, para não penalizar os consumidores com medidas protecionistas.

Para alcançar este objetivo, são necessários recursos para os investimentos e para financiar um crescimento mais agressivo. Estes recursos estão disponíveis e são as poupanças, que é preciso proteger e valorizar, encaminhando-as a projetos que reforcem as economias nacionais, a ocupação e que, em consequência, valorizem o próprio economizar.

Mas a poupança parece hoje ser contemplada como um dos muitos recursos a ser empregados para resolver problemas contingentes em uma ótica de curto alcance. No entanto, não se trata de um recurso como os outros. Não é facilmente reproduzível; mais ainda: de certa forma, é como o petróleo, cujas reservas estão se esgotando. Portanto, deve ser utilizada com prudência, limitando seu desperdício. Ao contrário do que acontece no setor energético, a poupança não pode contar com fontes alternativas. Assim, é preciso deixar de considerá-la como um limão a ser espremido; no entanto, deve ser estimada como um bem a ser sustentado e valorizado.

Atualmente, a poupança é alvo de uma forte imposição sobre as rendas que a produzem e é objeto de posteriores detrações fiscais quando se investe e quando cria renda. Agrava-se ocultamente também quando sua remuneração não cobre sequer a taxa de inflação e se arrisca quando, em busca do rendimento a todo custo, dirige-se a investimentos perigosos. Mas a poupança corre o maior risco, o de extinção, quando se dirige ao apoio do consumo, isto é, quando o poder aquisitivo se transforma em dever de aquisição (só na Itália, nos últimos 25 anos, a taxa de poupança sobre as rendas produzidas caiu de 27% a 5%).

Portanto, a poupança constitui uma matéria-prima preciosa e representa uma vantagem competitiva que é preciso utilizar da melhor forma possível. Deve ser empregada para favorecer desenvolvimento, crescimento e ocupação. Não deve ser considerada como garantia onerosa das dívidas contraídas pelos Estados, mas como garantia da autonomia e independência da família que a formou. Essa mesma família que, tendo filhos e educando-os, cria valor para a sociedade, produzindo também investimentos e consumos. A família é, no final, o primeiro motor do crescimento econômico verdadeiro e estável – que absorverá a dívida e estabilizará os mercados.

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